A reflexão da luz - espelhos esféricos

by GREGO®



Como já foi dito em post anterior, a reflexão da luz obedece a leis simples. Vamos estudar essas leis para superfícies refletoras curvas (nessa aula em especial as superfícies esféricas).

As leis da reflexão são as seguintes:

O ângulo de incidência e o ângulo de reflexão são congruentes i = r;

O raio incidente, o raio refletido e a normal são coplanares (o que me permite estudar apenas “cortes” do espelho esférico e descobrir informações sobre a imagem usando apenas uma régua e geometria plana).

Lembre-se que em uma superfície esférica a normal é radial. Passa pelo centro de curvatura do espelho e pelo ponto de incidência.

Vamos estudar os casos notáveis e de fácil previsão usando as leis da reflexão.

Começando com raio incidente paralelo ao eixo principal do espelho:

“Todo raio de luz que incidir no espelho paralelo ao eixo principal, reflete-se na direção do foco”.

Por ser um caso fácil de ser reproduzido com uma régua, devemos nos lembrar dele.
O princípio da reversibilidade (o caminho da ida é igual ao caminho da volta) me garante que se invertermos o sentido da luz no exemplo acima saberemos o comportamento de um raio de luz que atingir o espelho pela direção do foco do espelho:

“Todo raio de luz que incidir no espelho pela direção do foco. reflete-se paralelo ao eixo principal”.

Se o raio de luz atingir o espelho paralelo à normal, passando pelo centro e pelo ponto de incidência, teremos ângulo de incidência i = 0º e portanto r = 0º.

“Todo raio de luz que incidir no espelho na direção do centro de curvatura do espelho, reflete-se sobre ele mesmo”.

Esse caso também é muito fácil de reproduzir com o auxílio de uma régua. Tenha-o em mente.

Um outro caso notável é aquele em que o ponto de incidência é o vértice do espelho o que faz com que a normal se confunda com o eixo principal do espelho:

“Todo raio de luz que incidir no espelho sobre o seu vértice, reflete-se de forma simétrica em relação ao eixo principal”.

Agora vamos às imagens

Primeiro vamos estabelecer as seguintes condições:

Somente espelhos planos fornecem imagens nítidas e não distorcidas de objetos, para espelhos esféricos nos contentaremos em obter imagens quase nítidas e isso ocorrerá quando o espelho for quase plano.

Pelo estabelecido, as condições de estudo para as imagens em espelhos esféricos (condições de Gauss) são que o espelho seja quase plano:

O ângulo α de abertura do espelho não pode ultrapassar os 10º e os raios deve atingir o espelho próximos ao seu eixo principal (raios paraxiais).

Satisfeitas as condições de Gauss podemos estudar as imagens formadas usando os seguintes critérios:

Ponto Imagem: ponto formado pelo cruzamento das direções de pelo menos dois raios refletidos pelo espelho;
Ponto Real: formado por raios de luz que convergem para o ponto;
Ponto Virtual: quando os raios refletidos divergem e a imagem é obtida pelo cruzamento dos seus prolongamentos.

Vamos fazer uma análise das regiões que compõem o corte plano do espelho esférico.

Nessa divisão o plano focal (PF) exerce papel fundamental. Objeto e imagem estarão SEMPRE do mesmo lado em relação ao plano focal, ou estarão ambos a esquerda do PF ou ambos a direita do PF.

Vamos estudar primeiro o caso em que ambos estão à frente do plano focal.

O trecho 1 é delimitado pelo infinito e pelo centro de curvatura. O trecho 2 é delimitado pelo centro de curvatura e o foco do espelho. Quando o objeto estiver no infinito a imagem se formará sobre o foco e terá o menor tamanho possível. Ao aproximar o objeto do centro do espelho, a imagem também se aproxima do centro do espelho e seu tamanho fica cada vez mais parecido com o tamanho do objeto. É uma sequencia lógica imaginar que quando o objeto estiver sobre o centro, sua imagem também se formará sobre o centro e terá o mesmo tamanho do objeto.

Imagem real, invertida e menor.

Imagem real, invertida e igual.

Quando o objeto ultrapassa o centro e entra na região 2, é a imagem que vai para a região 1 e o processo se inverte.

Imagem real, invertida e maior.

Todas as imagens obtidas com objeto e imagem diante do plano focal são de natureza real, sendo portanto invertida em relação ao objeto e estando o centro de curvatura do espelho sempre entre o objeto e sua imagem.

Vamos estudar agora o caso em que ambos estão “atrás” do plano focal.

O trecho 3 é delimitado pelo foco e pelo vértice do espelho. O trecho 4 é o mundo virtual “dentro” do espelho. Objetos sobre o foco produzem imagens infinitamente grandes no infinito (impróprias). Se o objeto entra no trecho 3, muito próximo ao espelho, teremos a formação de imagens dentro do espelho (virtuais e maiores que o objeto) e a medida em que o objeto se aproxima do espelho a imagem também o faz e seu tamanho diminui e vai ficando cada vez mais parecido com o tamanho do objeto

Imagem Imprópria.

Imagem virtual, direita e maior.

Todas as imagens obtidas com objeto e imagem atrás do plano focal são de natureza virtual, sendo portanto direita em relação ao objeto e estando o vértice do espelho sempre entre o objeto e sua imagem.

Já para os espelhos convexos a matemática é mais simples:

Imagem virtual, direita e menor.

A imagem de objetos reais se forma SEMPRE entre o foco e o vértice do espelho (que para os espelhos convexos são pontos virtuais). Objetos no infinito terão suas imagens formadas sobre o foco e terão o mínimo tamanho possível, a medida que o objeto se aproxima do espelho a imagem também se aproxima do espelho e aumenta seu tamanho ficando com o tamanho cada vez mais parecido com o tamanho do objeto.


7 comments to A reflexão da luz - espelhos esféricos

  1. amanda
    junho 12th, 2010 às 10:20

    nossa muito obrigada mesmo
    eu gostei muito do trabalho que vcs fizeram
    ajudou muito na minha aula de física.
    fantástico mesmo!!
    tudo resumido em poucas palavras.
    mas.. se vc colocar as fórmulas de cada tipo de reflexão eu acho que ficaria muito melhor, ficaria muito mais complexo.
    mas… assim esta muito bom mesmo!!
    adorei
    tudo o que vc tiver de novo sobre fisica pode ir colocando, se nao for muito encomodo pode ir passando pelo meu msn!!
    blz?

  2. Victor Maia
    outubro 2nd, 2009 às 11:03

    ALELUIA, FINALMENTE consequi entender esse troço. Digo, não decorar as fórmulas e teorias - de fato, entender porque tudo isso funciona assim. Ótima explicação, muito obrigado.

  3. Karolzinha
    julho 9th, 2009 às 22:51

    Muuito boa explicação mesmo.
    Não é siplismente uma circunferência metálica e muito mais do que isso.
    Impresionante mesmo como foi chegar a esse conceito. Fantástico !!!

  4. Stavros
    março 17th, 2009 às 19:17

    É ele mesmo!

  5. Rafael
    março 16th, 2009 às 23:13

    Esse Gauss é o mesmo Gauss que criou junto com Argand o Plano de Argand-Gauss para os números complexos?

  6. fernando
    fevereiro 24th, 2009 às 17:45

    muito bom, acabou com minhas dúvidas

  7. letícia
    dezembro 11th, 2008 às 22:31

    Muito boa sua explicação ! Deu pra entender perfeitamente. só acho que você deveria colocar as fórmulas.

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